O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), publicou nesta quarta-feira (2) um vídeo com uma canção que defende a anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A música, produzida com o uso de inteligência artificial, vem sendo tratada por aliados do governador como um “hino gospel” e reforça a defesa do perdão aos envolvidos. A divulgação ocorre poucos dias antes da manifestação convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para o próximo domingo (6), na Avenida Paulista, em São Paulo.
Zema foi convidado por Bolsonaro a comparecer ao evento e estará entre os governadores que discursarão. O mineiro é cotado como pré-candidato à Presidência da República caso o ex-presidente, atualmente inelegível, não possa disputar o cargo. Segundos aliados, o governador tem demonstrado insatisfação com o que considera um viés político nas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), tanto nos processos envolvendo Bolsonaro quanto no caso da cabeleireira Débora dos Santos, que escreveu “Perdeu, mané” com batom na escultura “A Justiça” durante os atos do 8 de janeiro.
A letra da canção destaca a oposição entre diferentes visões de país:
“Tá na hora da gente escolher que Brasil vai prevalecer. Se é o país onde o justo é punido ou onde o povo é protegido. Se é um país onde bandido é solto e o rival vai preso, com medo do voto. Se é o Brasil do mal ou do bem. O que separa ou que vem.”
Na sequência, a letra reforça a defesa da anistia:
“Eu escolho o poder do perdão. Escolho a paz, estendo a mão. Liberdade não se compra, se constrói. E a justiça de verdade não destrói. Reunir famílias, curar a ferida, fazer do amor uma nova saída. Eu escolho a liberdade. Com valentia. Eu escolho Anistia!”
Até o momento, o STF condenou 503 pessoas envolvidas nos atos do 8 de janeiro. Deste total, 487 processos referem-se a crimes graves, como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Outros 1.099 processos envolvem crimes de menor gravidade, como incitação ao crime e associação criminosa. A Corte também registrou oito absolvições.
