Jefferson Rudy/Agência Senado
Senadora diz que denúncia apresentada à Polícia Federal tem indícios suficientes, mas admite retratação caso exame não confirme paternidade atribuída ao deputado
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) declarou que fará um pedido público de desculpas ao deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) caso um exame de DNA descarte a acusação de estupro de vulnerável envolvendo o parlamentar. A manifestação foi feita neste sábado (28), após a repercussão do embate ocorrido durante sessão da CPMI do INSS.
Segundo Soraya, a denúncia encaminhada à Polícia Federal foi baseada em elementos que, na avaliação dela, justificam a abertura de uma investigação. Apesar disso, a senadora afirmou que, se ficar comprovado que Gaspar não é o pai biológico da criança mencionada no caso, irá reconhecer o erro e se retratar publicamente pelo constrangimento causado.
A crise teve início durante a leitura do relatório final da comissão, conduzida por Alfredo Gaspar, relator da CPMI. Em meio à sessão, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) interrompeu a fala do parlamentar, criticando o tom do discurso e cobrando foco no conteúdo do parecer. A discussão escalou rapidamente e resultou em troca de ofensas, incluindo uma acusação direta de estupro feita por Lindbergh contra Gaspar.
Após o tumulto, Lindbergh e Soraya formalizaram uma notícia-crime na Polícia Federal, pedindo a apuração de um suposto caso de estupro de vulnerável, além de tentativa de suborno e possível fraude processual. De acordo com os parlamentares, o episódio teria ocorrido há cerca de oito anos, envolvendo uma adolescente de 13 anos que teria engravidado. Eles sustentam que há necessidade de verificação documental e biológica para esclarecer os fatos.
Na representação enviada à PF, os dois também apontam a existência de conversas e informações que indicariam uma suposta tentativa de silenciar a vítima por meio de pagamentos. Segundo a denúncia, um valor de R$ 70 mil já teria sido pago, enquanto outros R$ 400 mil estariam em negociação. Os autores do pedido solicitam que a investigação seja conduzida sob sigilo, com preservação das provas e proteção à vítima, à criança e às testemunhas.
Soraya reforçou, em resposta nas redes sociais, que sua atitude não teve o objetivo de caluniar o deputado, mas de evitar eventual omissão diante de um caso grave. Para a senadora, a realização do exame de DNA seria a forma mais rápida e objetiva de esclarecer o episódio. Ela afirmou que, caso o resultado seja negativo, assumirá publicamente a responsabilidade pela acusação.
Alfredo Gaspar, por sua vez, nega todas as acusações. O deputado afirma que o caso citado por seus adversários políticos diz respeito, na verdade, a um primo, Maurício César Brêda Filho, e não a ele. Segundo Gaspar, a história envolve um relacionamento mantido por esse familiar em Alagoas, e não um crime sexual praticado por ele.
A defesa do parlamentar informou ainda que possui um exame de DNA, realizado em 2014, que apontaria a paternidade de Maurício no caso mencionado. Gaspar também anunciou que pretende reagir judicialmente, registrando queixa na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e acionando a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados contra Lindbergh Farias e Soraya Thronicke.
O episódio gerou forte repercussão política e ampliou a tensão dentro da CPMI do INSS, que já vinha sendo marcada por embates entre parlamentares da base governista e da oposição. Agora, a apuração da Polícia Federal deverá ser decisiva para confirmar ou afastar as acusações que colocaram o relator da comissão no centro de uma nova crise em Brasília.

























