Fontes: Fotos: CNN – Brasil – reprodução e divulgação/ redes sociais-pmrj

Um dia após a operação policial mais letal da história do Rio de Janeiro, moradores do Complexo da Penha, na Zona Norte da capital, levaram ao menos 74 corpos para uma das principais praças da comunidade. Imagens que circulam nas redes sociais mostram dezenas de cadáveres — muitos apenas de cueca — espalhados pelas ruas, em meio à comoção de familiares e vizinhos.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que todas as vítimas seriam integrantes do tráfico de drogas que se escondiam na mata com roupas camufladas. Segundo ele, as vestimentas foram retiradas posteriormente, em uma suposta tentativa de forjar o cenário dos confrontos.

(Foto: REUTERS, Ricardo Moraes)
“Parece que houve uma mágica nesses corpos que estão aparecendo aí. Temos imagens deles todos paramentados, com roupas camufladas, coletes balísticos e armas de guerra. Agora, aparecem vários só de cueca ou short. Parece que entraram num portal e trocaram de roupa”, declarou Curi em entrevista coletiva nesta quarta-feira (29).
Durante a coletiva, realizada ao lado de outras autoridades da segurança pública fluminense, o secretário exibiu um vídeo que mostraria pessoas retirando as roupas dos supostos criminosos. Ele informou que a 22ª Delegacia da Penha abriu um inquérito para apurar o caso sob suspeita de fraude processual. “Essas pessoas serão investigadas. Não se surpreendam se aparecerem lesões, inclusive à faca, com o intuito de incriminar os policiais”, acrescentou.
O secretário de Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes, reforçou a versão apresentada por Curi. “É possível ver claramente a retirada de roupas camufladas e táticas de um dos corpos por pessoas que acompanhavam a cena”, afirmou. Menezes garantiu que todos os corpos passarão por perícia e que os agentes usavam câmeras corporais durante a operação.
A ação, batizada de Operação Contenção, mobilizou cerca de 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, concentrando os confrontos na Serra da Misericórdia — área que separa os complexos da Penha e do Alemão. De acordo com o balanço oficial, 119 pessoas morreram e 133 foram presas, além de 10 adolescentes apreendidos. As forças de segurança também recolheram 118 armas, sendo 91 fuzis, 26 pistolas, 14 explosivos e um revólver.
O secretário de Segurança Pública, Victor Santos, defendeu a ação e reiterou que o “contexto” indica que as vítimas atuavam no tráfico. “Às 5h30, 6h da manhã, dificilmente um trabalhador estaria em uma mata fechada, a não ser a serviço da organização criminosa. É difícil imaginar um inocente usando colete balístico ou uniforme camuflado”, declarou.
Apesar das afirmações oficiais, a identificação dos mortos ainda não foi concluída. Entidades de direitos humanos e defensores públicos pedem transparência na investigação, diante da dimensão da operação e das suspeitas de execuções.




























