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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso do poder militar norte-americano na América Latina e no Caribe durante discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira (22), em Nova York.
Em uma fala de cerca de 40 minutos, Trump afirmou que os Estados Unidos estão dispostos a utilizar sua capacidade militar para proteger interesses considerados vitais para o país. O presidente citou as ações recentes contra a Venezuela e apresentou o combate ao tráfico internacional de drogas como uma das justificativas para a atuação norte-americana na região.
Trump também comparou os cartéis latino-americanos ao Estado Islâmico (ISIS) e afirmou que as Forças Armadas dos EUA foram mobilizadas para combatê-los. A declaração ocorre em meio à ampliação das operações norte-americanas contra organizações classificadas pelo governo dos EUA como terroristas.
O México foi citado diretamente pelo presidente norte-americano. Trump afirmou que mantém relações com o governo de Claudia Sheinbaum, mas cobrou medidas mais duras contra os cartéis e defendeu que o país retome o controle de áreas onde essas organizações atuam.
A situação de Cuba também foi abordada. Trump classificou o país como um Estado fracassado e afirmou que sua administração mantém forte pressão sobre o governo cubano. Durante o discurso, a delegação de Cuba deixou o plenário da ONU em protesto.
Lula defende soberania
Antes de Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursou na Assembleia Geral e criticou interferências externas nos países da América Latina e do Caribe.
Lula afirmou que a região enfrenta pressões decorrentes da proximidade com os Estados Unidos e defendeu que o combate ao crime organizado seja realizado com cooperação internacional, sem intervenção militar estrangeira. O presidente brasileiro também reforçou que o Brasil não deve ser tratado como parte da área de influência de nenhuma potência.
As declarações de Trump ampliam o debate sobre o papel dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, especialmente diante das recentes operações militares e da política de combate aos cartéis adotada pela Casa Branca.