Fonte: reprodução rede sociais
Caracas — Em um movimento que sinaliza uma reconfiguração temporária do clima político venezuelano, mais um integrante do principal partido de oposição foi libertado neste fim de semana, elevando para pelo menos 13 o número de presos políticos deixados em liberdade nas últimas jornadas, segundo dados compilados por organizações de direitos humanos e fontes da oposição.
O jovem dirigente Virgilio Laverde, 24 anos, coordenador da juventude do partido Vente Venezuela — a mesma legenda da líder opositora María Corina Machado — deixou uma prisão em Caracas após mais de um ano detido. Laverde foi preso em agosto de 2024, sob acusações de terrorismo e incitação ao ódio, acusações que ele e seus apoiadores sempre rejeitaram como motivadas por razões políticas.
A libertação foi confirmada pelo vice-diretor da ONG Foro Penal, Gonzalo Himiob, que também informou sobre outras saídas de detentos, entre eles ativistas como Andrés Martínez Adasme, José María Basoa, Miguel Moreno e Ernesto Gorbe. As organizações de direitos humanos afirmam que o total de prisioneiros soltos no país chegou ao menos a 18, incluindo estrangeiros e figuras da oposição.
Repercussão e contexto
Para militantes e familiares, cada libertação representa alívio, embora permaneça cética a percepção de que o processo marque uma abertura democrática duradoura. “Ele nunca deveria ter estado atrás das grades”, declarou o Comitê de Direitos Humanos de Vente Venezuela em comunicado nas redes sociais ao celebrar a soltura de Laverde.
A complexa conjuntura política de Caracas envolve, simultaneamente, negociações diplomáticas internacionais e pressão de organizações de direitos humanos, que estimam que ainda haja centenas de pessoas acusadas de crimes políticos encarceradas — um número que varia conforme as fontes, mas que indica que os libertados são apenas uma fração do total de detidos após a crise política desencadeada em 2024.
Apesar dos passos recentes, observadores apontam que a transparência sobre os critérios de soltura e o relacionamento entre as liberdades concedidas e as tensões internas do governo continuam sendo pontos de controvérsia. Ao mesmo tempo, famílias de outros presos políticos aguardam que as autoridades venezuelanas avancem com mais excarceramentos e garantias processuais.