Carlos Bolsonaro se desespera com declaração de Paulinho da Força – Reprodução divulgação rede sociais
A escolha de Paulinho da Força (SD-SP) como relator do chamado “PL da dosimetria” acirrou os ânimos entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e setores do Congresso. O parlamentar, que insiste em desvincular a proposta do termo “anistia”, tem feito declarações que desagradaram profundamente à base bolsonarista.
A primeira polêmica surgiu quando Paulinho afirmou que o projeto não tratava mais de “anistia a Bolsonaro”, mas sim de revisão de penas para investigados e condenados, incluindo os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. A fala irritou apoiadores do ex-presidente, condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.
O estopim veio com uma declaração ainda mais dura: Paulinho responsabilizou o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo fracasso da articulação em torno de uma anistia ampla. Segundo ele, as provocações feitas por Eduardo nos Estados Unidos contra a Suprema Corte teriam inviabilizado o acordo.
“Se ele não estivesse nos EUA atacando a Suprema Corte, já teríamos aprovado a anistia irrestrita”, disparou Paulinho, acrescentando que as tensões externas também teriam contribuído para sanções impostas ao Brasil.
A fala repercutiu de imediato entre os bolsonaristas. Carlos Bolsonaro, filho do ex-presidente, reagiu com ataques ao deputado: “Nenhuma palavra define as atitudes deste sujeito…”, escreveu em rede social, em tom de indignação.
Nos bastidores, Paulinho tenta construir um consenso com líderes partidários. Em encontro recente com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou defender uma proposta “intermediária” que reduza penas e, em suas palavras, ajude a “pacificar o país”.
Nogueira, por sua vez, reiterou apoio à “anistia ampla, geral e irrestrita”, mas sinalizou que pode aceitar um acordo parcial, diante da dificuldade de votação. “O Brasil está dividido e sua missão não é simples. Precisamos sair desse processo melhor do que entramos, e com rapidez”, disse o senador ao relator.
Enquanto isso, cresce a percepção entre aliados de Bolsonaro de que o sonho da anistia total perdeu força no Congresso, e que a batalha agora será pela preservação de um espaço de negociação.




























