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Em meio ao endurecimento das tarifas comerciais impostas por Washington, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, na noite desta segunda-feira (11), uma conversa telefônica de cerca de uma hora com o líder chinês Xi Jinping. Os dois reafirmaram o compromisso de ampliar oportunidades de negócios e fortalecer a cooperação bilateral.
Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, Xi destacou que a China pretende servir de exemplo de “unidade e autossuficiência” entre os países do Sul Global, defendendo um mundo mais justo e sustentável. O presidente chinês também fez um apelo contra o unilateralismo e o protecionismo, incentivando maior coesão entre as nações em desenvolvimento.
O diálogo ocorreu num cenário de crescente tensão comercial. O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, aumentou em julho para 50% as tarifas sobre produtos brasileiros, medida que passou a valer em 6 de agosto e atinge 35,9% das mercadorias exportadas ao mercado norte-americano — cerca de 4% do total das vendas externas do Brasil. O aumento foi justificado por Washington como retaliação a decisões consideradas prejudiciais às empresas de tecnologia estadunidenses e também como resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Lula e Xi concordaram quanto à importância do G20 e do Brics para a defesa do multilateralismo e da cooperação no Sul Global. O líder chinês expressou apoio à soberania brasileira e aos direitos legítimos do país, reforçando a necessidade de união para preservar a justiça e as normas internacionais.
A China é o principal parceiro comercial do Brasil, e ambos mantêm uma Parceria Estratégica Global, o mais alto patamar nas relações diplomáticas. De acordo com nota da Presidência brasileira, os presidentes elogiaram avanços conjuntos em programas de desenvolvimento e decidiram expandir a cooperação para áreas como saúde, energia, economia digital e tecnologia espacial.
Além das questões comerciais, Lula mencionou que a ligação também teve o objetivo de intermediar a retomada das exportações brasileiras de pés de frango, suspensas após casos de gripe aviária, já que a China é o maior comprador do produto.
No campo diplomático, os dois líderes trocaram visões sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, além de tratar da participação chinesa na COP30, que será realizada em novembro, em Belém (PA). Xi Jinping confirmou o envio de uma delegação de alto nível ao evento e reiterou a parceria com o Brasil para garantir o êxito da conferência.
Enquanto isso, em Brasília, o governo federal prepara um plano de contingência para minimizar o impacto das tarifas impostas pelos EUA, com previsão de linhas de crédito e aumento das compras governamentais. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lembrou que, embora os EUA já tenham representado um quarto das exportações brasileiras, atualmente a participação é de apenas 12%, reforçando a estratégia de diversificar mercados.