Fotos: Reprodução/Câmara de Guarulhos e Prefeitura de Guarulhos

 

Fontes: Vídeo reprodução rede Bandeirantes

A Prefeitura de Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo, foi alvo, nesta quinta-feira (31), da segunda fase da Operação Publicanos, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual. A ação investiga um esquema de corrupção que teria causado um prejuízo de ao menos R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos ao longo de quase duas décadas.

Segundo as autoridades, servidores públicos teriam favorecido construtoras ao deixar de cobrar impostos devidos — só nos últimos anos, cerca de R$ 750 milhões deixaram de ser arrecadados. O esquema também envolvia fraudes em avaliações imobiliárias, alterações em classificações de imóveis e manipulação de medições técnicas para reduzir a carga tributária de empreendimentos.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em secretarias estratégicas do município, como Desenvolvimento Urbano, Desenvolvimento Científico, Econômico e Tecnológico, Justiça e na Procuradoria-Geral. Residências de servidores também foram alvo da operação. Ao todo, participaram da ação 53 policiais civis e 23 viaturas.

As investigações foram abertas em 2022, ainda durante a gestão do ex-prefeito Gustavo Henric Costa, o Guti (PSD), que ocupou o cargo entre 2017 e 2024. Em nota, Guti afirmou que sua administração foi responsável por identificar as primeiras irregularidades na Secretaria da Fazenda, o que motivou o início do inquérito. Ele diz ter afastado preventivamente 25 servidores suspeitos e elogiou o trabalho das forças de segurança.

Já a atual gestão, liderada pelo prefeito Lucas Sanchez (PL), afirmou apoiar integralmente as investigações e classificou o esquema como um crime contra a cidade. Segundo nota divulgada pela administração municipal, os desvios poderiam ter custeado a construção de dois hospitais ou mais de 300 escolas, além de ter potencial para zerar a dívida pública do município, estimada em R$ 3 bilhões.

Fotos: PMG/ Rede Sociais

O governo Sanchez também destacou que cerca de 600 pessoas — entre funcionários públicos, empresários e intermediários — são investigadas por envolvimento no esquema, acusadas de receber propina para forjar documentos, fraudar tributos e beneficiar interesses privados. A Prefeitura afirmou que continuará colaborando com a Justiça e reforçou seu compromisso no combate à corrupção e ao crime organizado.

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que as diligências continuam, visando aprofundar as apurações e identificar todos os responsáveis pelos crimes.