Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Lula minimiza tensão com Congresso e projeta novo mandato: “O país pode ter um presidente eleito quatro vezes”

Durante cerimônia da Petrobras realizada nesta sexta-feira (4) no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom conciliador ao rebater rumores de crise entre o Executivo e o Congresso Nacional. A declaração ocorreu no contexto do impasse envolvendo o aumento das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), tema que foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF).

“Não existe guerra. Pelo contrário, sou muito grato ao Congresso. Nesses dois anos e meio de governo, conseguimos aprovar 99% das propostas que enviamos. Nenhuma outra gestão teve essa taxa de aprovação”, afirmou o presidente, ao lado de ministros e executivos da Petrobras.

A fala de Lula ocorre após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, suspender tanto o decreto presidencial que elevava as alíquotas do IOF quanto a decisão do Congresso que havia derrubado a medida. Moraes também convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes para o próximo dia 15 de julho.

Segundo o Ministério da Fazenda, o reajuste do IOF pode gerar até R$ 20 bilhões em arrecadação neste ano. O governo defende que a medida visa combater brechas usadas para sonegação fiscal. O ministro Fernando Haddad, também presente no Rio, reiterou que a intenção do Executivo é técnica e que o reforço nas receitas seria uma consequência, não o objetivo central.

Diálogo e reeleição no radar

Lula reforçou que divergências entre Poderes fazem parte da democracia e defendeu o diálogo como caminho. Ao mencionar sua relação com o Legislativo, o presidente aproveitou para provocar especulações sobre uma possível candidatura à reeleição em 2026.

“Tem gente achando que meu mandato está acabando. Eu tenho ainda um ano e meio. E quem está pensando em eleição deveria se preparar. Porque, se tudo continuar como imagino, este país terá um presidente eleito quatro vezes”, disse, arrancando aplausos do público — formado em grande parte por trabalhadores da Petrobras e da Braskem.

Imposto de Renda e justiça fiscal

Ainda durante o evento, Lula voltou a defender a correção da tabela do Imposto de Renda, com isenção para salários de até R$ 5 mil mensais. Segundo ele, a proposta visa reduzir a carga tributária sobre a população de renda mais baixa e tornar o sistema mais progressivo.

“Quem ganha mais, precisa contribuir mais. O que não é justo é gente que ganha muito pagar proporcionalmente menos imposto que o trabalhador comum”, afirmou.